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http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasVida/2009/12/defensores-dos-animais-queixam-se-das-condicoes-no-canil-da-guarda07-12-2009-15751.htm
Deixamos aqui disponível a reportagem da SIC acerca do Canil Municipal da Guarda que passou no Jornal das 13:00 no dia 07/12/2009 para os que ainda não tiveram oportunidade de ver. Como é por demais evidente, mais uma vez, não nos é possível deixar de sentir vergonha do calibre do profissionalismo nesta cidade. Muitos já criticaram em redes sociais mas ninguém se lembrou ainda de questionar as palavras do nosso Veterinário Municipal (Direcção do Canil Municipal da Guarda) quando diz “- Acontece por vezes que há animais, por razões que desconhecemos, que têm uma certa aptência para se ir deitar logo naqueles potes que têm de água para o abeberamento . Isso é incontrolável.” Esta tem que ser afirmação mais descabida que já ouvi para se justificar o facto de os animais permanecerem o dia inteiro molhados e submetidos a temperaturas negativas. Vamos lá fazer uma sondagem e ver quantos veterinários pensam desta forma e o que pensam esses veterinários de alguém que diz uma coisa dessas. O que leva um animal dentro de uma jaula fria, onde se chegam a atingir temperaturas negativas, a tomar uma banhoca no bebedouro? Deve ser do calor!!! Depois vêm os “tratadores” dizer que os cães são retirados para o espaço exterior e só depois as jaulas são lavadas uma a uma. Quem conhece o funcionamento do Canil, e tal como nós, durante dois anos passaram lá manhãs e tardes inteiras percebem o disparate que eles estão a dizer. Mas o que mais me intriga é que ainda há umas semanas atrás, os mesmos tratadores disseram que desde Julho os cães não punham as patas fora das jaulas. Temos aqui mais um mistério para ser explicado mas com certeza a versatilidade do Veterinário Municipal explicar-nos-á este fenómeno. O Veterinário diz mais… “Não somos um hotel canino, não somos um local onde penteamos os animais, não somos um centro de atendimento veterinário. A sociedade civil tem que se organizar e dar aos animais, que eu acho muito bem, esses carinhos e essas condições.” Apetece-me perguntar a este senhor como pensa que funcionava o Canil antes da saída da Engenheira Gabriela porque ele revela um claro desconhecimento. Antes da saída dela penteavam-se cães, dava-se-lhes banho, tosquiavam-se, cortavam-se as unhas, desparasitavam-se interna e externamente, tratavam-se porque existiam desinfectantes, antibióticos, antiinflamatorios cedidos por amigos ou pagos pelo bolso da Engenheira que a Câmara Municipal dispensou. Os animais ficavam na medida entre os possíveis, socializados e acarinhados, de modo a permitir os tais 75% de adopções de que se gaba na comunicação social. É muito feio recolher os louros do trabalho dos outros. Ou este senhor pensará que é fácil uma pessoa adoptar o cãozinho molhado, a tremer no fundo da jaula, ferido, e maltratado? Essas adopções são possíveis para uma minoria de gente não para gente que permita tamanha taxa de adopção. Também é caricato dizer que a sociedade civil tem que se organizar. Nós estamos organizados há anos. Existe uma associação, existem grupos de apoio como o nosso, existem escolas, centros de estudo e explicações com vontade de voltar a passar tardes no Canil e a realizar actividades com as crianças que tanto sabiam sobre formação cívica relativamente ao abandono e maus tratos. Agora não nos aceitam no Canil. Quem nos abria as portas, soltava os cães, nos fazia sentir uma mais valia para aqueles animais foi dispensada e deixaram lá senhores com indicações claras de não deixar as pessoas permanecerem mais de meia hora, não deixar fotografar ou divulgar, não deixar soltar os cães para os vermos correr em liberdade e a socializar uns com os outros. O Canil já foi assim. Havia tardes em que se o temperamento dos cães o permitisse, estavam todos soltos, em liberdade no exterior, a socializar uns com os outros e com as dezenas de pessoas que lá passavam umas horas do dia e aproveitavam para fotografar e falar a amigos e conhecidos, divulgar em cafés ou no local de trabalho. Estas pessoas é que deram ao Veterinário Municipal os números de que tanto se gaba. Estas e aquelas que levaram cães de Norte a Sul do País (pago do próprio bolso) e acompanharam as adopções para que tivéssemos a certeza de que seriam um sucesso. Agora, no Canil, desempenha-se o papel de Deus escolhendo entre animais saudáveis os que têm a hipótese de ser divulgados e os que estão à partida condenados. E nem volto a falar da pseudo divulgação que fazem. Aquele hi5 que conseguiram fazer desaparecer levava TODOS os animais que lá davam entrada a todos os cantos do mundo. Agora é mais importante a marca de água que diz Câmara Municipal da Guarda que a personalidade do animal. Ponho em dúvida as palavras do Veterinário Municipal quando diz “- Conhecemos a carta dos direitos dos animais, procuramos o seu bem estar, e zelamos para que os animais que aqui alojamos tenham pelo menos condições que não encontraram na rua.” Na rua eles conseguem abrigar-se do frio, no canil são molhados e mantidos em jaulas sem ninhos, sem cobertores, sem lampadas de aquecimento e sem oportunidade de se refugiar num sitio seco. Na rua podem fugir de quem os maltrata e negligencia, no Canil estão atrás de grades. Na rua quem sabe não têm a sorte de passar por pessoas, que tal como nós, não viram a cara e os levam a uma clínica, os tratam, os alimentam, os divulgam e os entregam para adopção responsável, no Canil não são tratados, se está ferido sofre, e precisa ter sorte para ser escolhido para ser divulgado e ainda mais para sobreviver ao abate. Continuamos a apelar. Não levem animais para o Canil Municipal da Guarda. Há sempre alternativas. Nós, bem como muita mais gente, ajudamos a divulgar e a encontrar soluções. A sociedade está organizada a Câmara Municipal da Guarda é que não sabe o que é aproveitar recursos e competências. Obrigada Professora Luísa por mais uma vez não ter tido medo de falar e por ter denunciado tudo o que nós e muitos mais já viram. Se falhou em algo que disse foi por defeito e não por excesso.
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